tbt
(Throwback Thursday) ~ NYC
Pensei em criar um quadro novo aqui. Na verdade, isso existe faz é muito tempo e a atrasada sou eu, mas considerando que não existia no meu blog, então é novo, né?
A ideia seria colocar uma foto bem antiga que tivesse alguma história interessante por trás e contar um pouquinho do que eu me lembro aqui... acho uma forma legal de não só eu mesma lembrar as coisas que eu já vivi (oi, memória?), mas também de vocês irem juntando pecinhas perdidas do meu passado:)
Vamos pra essa primeira foto então. Comecinho de dezembro de 2007. Eu tinha acabado acabado de mudar do Brasil pros EUA. Sozinha. Sem nenhum inglês além desse básico da escola. Acho que eu tinha saído de Goiás tipo duas vezes na minha vida (uma delas eu era criancinha e nem lembro). Eu estava no 3o ano de Jornalismo na Federal e não estava nem um pouquinho feliz com o curso. Achava tudo sem graça, odiava ficar indo atrás de notícia, odiava ter que escrever noticia. Eu já estava trabalhando bastante em várias escolas, dando aula de redação, corrigindo provas e redações e tal. Tirava uma grana legal. Só que eu gastava tudo em saidinhas. T-u-d-o. E isso foi meio que me cansando. Eu não sabia falar não pra nada, era
-"mas a família da casa que você vai ficar que paga sua passagem?"
-"você vai e eles te pagam um salário pra você só cuidar das crias deles?"
-"pera, e ainda tem férias?"
-"e eles podem te sponsar e você mudar de visto e ficar lá estudando enquanto eles pagam sua faculdade?"
Era como se alguém tivesse chegado com um ticket escrito "solução para os seus problemas". Eu queria tanto ir, tanto, que eu não pensei em nada (na verdade, eu sou bastante impulsiva e não gosto de pensar muito pra tomar decisões). Quando eu me refiro a nada, eu quero dizer nada nem ninguém, Não me importava nesse momento família, amigos, parentes, conhecidos, nada. Eu só queria muito vazar dali, sabe?
E eu fui. Fiz todos os trâmites, demorou mais ou menos uns 7 meses desde que eu comecei a fazer os papéis até o dia em que eu embarquei. E não senti como esse apertinho no coração de estar saindo de casa em nenhum momento. Lembro que, quando eu subi no avião, eu olhei pro lado e vi que tava todo mundo lá na área de embarque dando tchau (família, amigos, uma galerinha muito querida), e nesse momento, uma lagriminha caiu do meu olho e minha respiração meio que acelerou. "Cara, quê que eu tô fazendo?". Foi só nesse momento que eu comecei a pensar em todas as consequências. Eu estava indo pra outro país. Eu não conhecia ninguém. Meu inglês era péssimo. Eu não sabia nem pagar uma conta no banco. "Como que eu vou lavar minha roupa?" Do nada, todos esses pensamentos apareceram como uma avalanche na minha cabeça. Eu entrei, sentei no avião, e fiquei olhando pela janelinha. Toda a minha vida em duas malas. Eu respirei fundo. Fechei os olhos. E os pensamentos começaram a mudar. Saíram de "Eu não conheço ninguém lá" pra "Ninguém me conhece lá! Eu posso ser quem eu quiser!". O que pra muita gente seria um pesadelo, pra mim era um breath of fresh air.
Com isso, eu não quero dizer que foi tudo fácil e mil maravilhas, porque não foi. Eu saí do pleno verão de Goiânia, pra chegar em NY com -20 graus Celcius. Saí de ter todos meus amigos e familiares para morar na casa de uma família completamente diferente (e bem estranha, mas isso é história pra outro post!). Saí de poder caminhar ou ter transporte coletivo pra todos lugares, pra viver no subúrbio onde eu precisava de carro até pra ir comprar pão. O que eu quero dizer é que eu sobrevivi. Me virei. Abri conta. Dirigi. Peguei visto pro México e fui sozinha. Deixei essa família que tava em Baltimore e fui pra outra pertinho de NY. Fiz amigos. Muitos amigos. Conheci gente de mil lugares do mundo. Aprendi inglês. Estudei japonês. Cresci como pessoa. Incorporei hábitos novos. Eu não seria quem eu sou hoje sem esses quase 3 anos nos EUA no meu currículo.
E, olha, eu também cansei de lá. E isso me preocupou. "Como que alguém cansa de NY? Eu nunca vou encontrar um lugar pra mim no mundo, eu sempre termino me entediando de tudo". Foi com esse pensamento que eu deixei NY e vim pra Buenos Aires. Pensando que, no fim das contas, eu não servia pra fazer nada porque, sooner or later, tudo terminava me cansando. E eu sempre meio que me puni por isso, achava que tinha algo errado comigo, com meu cérebro, minha personalidade, sei lá. Depois de muito soul searching, eu cheguei à conclusão de que eu sou assim. Eu preciso de mudança. Da mesma forma que muita gente recarrega suas baterias estando com amigos e família, indo pra aquele barzinho "de sempre", isso me suga todas as energias. E demorou muito pra eu aceitar que não tem nada de errado em ser assim. Na real, muita gente é assim. Somos poucos, mas existimos. Gente que precisa de mudança constante para conseguir fazer as coisas básicas do dia-a-dia. Gente que precisa de ter sempre coisas novas pra fazer, ver, comer, vivenciar. Pode parecer um estilo de vida utópico, mas não é. E eu sinto que estou cada vez mais próxima dele.






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